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Homenagem a Samuel Benchimol pelo prêmio recebido por O Cearense na Amazônia, em 1944

Linha do tempo · 1860–2002

Uma vida dedicada à Amazônia

FOTO | 1944N. Pereira, Ademir de Miranda, Américo Ruivo e Samuel Benchimol (em pé). Homenagem pelo prêmio recebido por O Cearense na Amazônia.

Memória · Vida · Obra

A história se constrói em cada passagem.

Das raízes da família às ideias que atravessam gerações, acompanhe os encontros, as escolhas e as realizações que fizeram de Samuel Benchimol uma das grandes vozes da Amazônia.

Origens · 1860–1900

As raízes da família

1860

Nascimento do avô, Israel Isaac Benchimol, em Marrocos, o primeiro da família a migrar para o Brasil. Nascimento da avó, Orovida (Robida) Essucy.

Na década de 1860, Manaus estava em estágio inicial de crescimento. A economia regional estava centrada principalmente na produção agrícola e extrativista, com atividades como a pesca, agricultura de subsistência e coleta de produtos da floresta.

1888

Nascimento do pai, Isaac Israel Benchimol, em Aveiros (PA). Ele foi seringueiro, piloto de batelão, regatão, contador, juiz de paz e comerciante.

Manaus torna-se importante centro econômico e comercial devido a expansão da indústria da borracha, quando a cidade experimentou um crescimento significativo e recebeu investimentos em infraestrutura e arquitetura.

1900

Nascimento da mãe, Nina (Lili) Siqueira, em Tefé (AM).

A abundância de borracha gerou uma enorme riqueza para a cidade e seus habitantes. Manaus se tornou conhecida por sua arquitetura grandiosa e luxuosa, com prédios públicos e residências sendo construídos com materiais importados da Europa.

Origens · 1923–1926

Infância entre Manaus e os seringais

1923

Nasce Samuel Isaac Benchimol, em 13 de julho, em Manaus. São seus irmãos: Israel (1920), Raphael(1921), Robine (1926), Alice (1930), Alberto (1932), Saul (1934) e Benjamin Isaac (1936).

1926

O pai, Isaac Israel, deixa Manaus na companhia da mulher e dos filhos, com destino aos seringais da região do Rio Abunã. Cursa alfabetização em Porto Velho (RO), na Escola Tobias Barreto.

Origens · 1929–1933

Educação, deslocamentos e retorno

1929

Manaus sofria os efeitos do declínio do ciclo da borracha, visto que outros países começaram a produzi-la, tornando a oferta brasileira menos competitiva. Outras indústrias, como extração de madeira e pesca, ganharam relevância.

A Amazônia mantinha alto índice de propagação de malária, devido sobretudo à falta de medidas eficazes de controle, condições de saneamento básico precárias e acesso aos cuidados de saúde limitado.

1929–1932

Samuel e os irmãos mudam-se para Belém (PA), para receber educação básica sob a orientação da avó materna, Lice Cagy Siqueira, com o apoio financeiro do tio José Raphael Siqueira.

Cursa o ensino primário no Colégio Progresso Paraense, Belém (PA).

1932

A mãe costura para os seringueiros em troca de bolas de borracha, a principal fonte de renda dos seringalistas e moeda de troca na região.

Determinada a buscar educação para os filhos, ela enche um barracão com a borracha e negocia com regatão a passagem dela e das filhas para Belém. O marido permanece no seringal, até finalizar o seu contrato de trabalho.

1933

1930

Fim da República Velha e início da Era Vargas. Manaus sente a influência do novo regime, que buscava integrar regiões periféricas do país.

Formação · 1933–1940

Os anos de formação

1933–1938

Educação

Cursa o ensino secundário no Ginásio Amazonense Pedro II (atual Colégio Estadual do Amazonas).

1937–1940

Cursa o ensino técnico de contador, na Escola Técnica de Comércio Sólon de Lucena.

1939–1940

Cursa o ensino pré-jurídico, no Colégio Dom Bosco, Manaus (AM).

Formação · 1940–1945

Do trabalho à sala de aula

1940–1943

Trabalho

Primeira atividade laboral, como despachante na Panair do Brasil.

1941–1945

Cursa o bacharelado em Direito na Faculdade de Direito do Amazonas.

1941–1998

Professor na Escola Primária Professor Vicente Blanco (1941), na Escola Técnica de Comércio Sólon de Lucena (1942 a 1946) e na Universidade do Amazonas, depois Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (1946 a 1998), nas Faculdade de Direito (1946), Escola de Enfermagem (1948 a 1949), Faculdade de Ciências Econômicas (1954 a 1955), Faculdade de Direito (1954 a 1974), Faculdade de Estudos Sociais (1975 a 1998).

1942–1945

Composição de Versos dos Verdes Anos (1942-1945). Poemas e haikais escritos no período de 1942-1945, até hoje discretamente divulgados.

Formação · 1942–1945

Empreender, escrever, participar

1942

Criação da empresa Benchimol & Irmão, em 13 de agosto, em nome de Israel e Samuel, que se tornaria a matriz da Bemol. Propagandista e pracista do Laboratório Farmacêutico Sharp & Dohme.

1942–2000

Trabalho

Presidente do Grupo Empresarial Bemol e Fogás

1944

Lançamento da obra “O Cearense na Amazônia: Inquérito Antropogeográfico Sobre um Tipo de Imigrante”, que o leva ao Prêmio José Boiteux do X Congresso Brasileiro de Geografia e à bolsa de estudos para o mestrado.

1945–2000

1940

Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos financiaram a produção de borracha na Amazônia, resultando no Segundo Ciclo da Borracha. No final da década, a ONU cria o Estado de Israel.

Formação · 1946–1947

Um novo olhar sobre a Amazônia

1946–1947

Cursa o Mestrado em Economia e Sociologia, na Miami University, Oxford, Ohio, EUA.

Instrutor de Português na Miami University, Oxford, Ohio, EUA.

1946

Certificado na Ordem dos Advogados do Brasil. Finalização da Dissertação Manaus: The Growth of a City in the Amazon Valley, para obtenção do Master Degree em Economia e Sociologia, pela Miami University, Oxford, Ohio, USA.

Família e empresas · 1951–1954

Família e formação acadêmica

1951

Casa-se com Mery Israel.

1953

Nascimento da primogênita, Nora, em 22 de agosto.

Família e empresas · 1956–1962

Novas empresas e novos vínculos

1956

Fundação da Fogás, em 20 de agosto.

1957–1962

1950

A década de 1950 foi marcada pelo desenvolvimento econômico e pela modernização do país. Houve a realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil e a eleição de Juscelino Kubitschek.

Manaus na década de 1950 está em um ritmo mais lento, com as arrecadações abaixo da expectativa.

1959

Lançamento da Pedra Fundamental da Sinagoga Beit Yaacov Rebi Meyr, com atuação proeminente do pai, Isaac Israel.

Família e empresas · 1960–1969

Uma Amazônia em transformação

1960–1969

A Bemol multiplica os pontos de venda em Manaus e, a partir de 1969, expande sua presença para outros estados. Hoje a empresa está no Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.

1964–1967

1960

Criada a Zona Franca de Manaus e Samuel participa da sua estruturação, principalmente como intelectual interessado na economia da região.

1964

Fogás se consolida no mercado de distribuição de gás em Manaus. Hoje a empresa está em diversos estados, incluindo Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima.

Obra e Amazônia · 1977–1979

Obras que atravessam gerações

1977

Lançamento da primeira edição de “Amazônia um Pouco-Antes e Além-Depois”, considerada a maior obra já realizada sobre a Amazônia.

1979

1970

Manaus continua se desenvolvendo e experimentando crescimento industrial impulsionado pela criação da Zona Franca, consolidando-se como importante polo industrial na região amazônica.

A crise do petróleo nesta década teve um impacto significativo na economia global.

Obra e Amazônia · 1992–1995

A floresta no centro do debate

1992

Lançamento do artigo “Amazônia e a Eco-92”, no Simpósio sobre a Amazônia em Belém.

1992

Lançamento do “Estatuto do Amazônida”, por ocasião da Eco 92.
Lançamento da “Eco-92: Borealismo Ecológico e Tropicalismo Ambiental”, trabalho apresentado à Fundação Joaquim Nabuco e ao Instituto de Tropicologia em Recife. Lançamento da primeira edição de “Amazônia: a Guerra na Floresta”.

1995

1990

Manaus experimenta avanços na infraestrutura, com melhorias nas vias urbanas e ampliação de transporte público e finalização da restauração do Teatro Amazonas. Em 1992, o Rio de Janeiro sedia a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), que resultou na adoção da Agenda 21.

Obra e Amazônia · 1998–1999

Reconhecimento e continuidade

1998

Recebe o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Lançamento da primeira edição de “Eretz Amazônia: os Judeus na Amazônia”.

1999

Lançamento da primeira edição de “Amazônia: Formação Social e Cultural”.

Transfere a presidência da Bemol e Fogás para o filho Jaime Benchimol e a vice-presidência para o genro Ilko Minev.

Bemol e Fogás estão estabelecidas como grandes empresas na Amazônia.

Legado · 2000–2001

Aula de despedida e homenagens

2000

Recebe Medalha de Honra ao Mérito da Academia Amazonense de Letras.

Lançamento do livro “Comércio Exterior da Amazônia Brasileira”.

Ministra a Aula de Despedida, Saudade e Exortação na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

2001

Lançamento da primeira edição de “Zênite Ecológico e Nadir Econômico-Social: Análises e Propostas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia”.

Nominação do Edifício Prof. Samuel Benchimol, um dos prédios da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

2001

Expansão do ecoturismo e turismo fluvial em Manaus. O desenvolvimento sustentável ganha projeção em todo o mundo.

Tem início crescente preocupação com as mudanças climáticas, há aumento do uso de energias renováveis e dos esforços para o desenvolvimento de tecnologias limpas.

Legado · 2002

Uma obra que permanece

2002

Lançamento de “Desenvolvimento Sustentável da Amazônia: Cenários, Perspectivas e Indicadores”.

2002

Diplomação como Membro Titular da Academia Amazonense de Letras, na Cadeira Número 11, cujo patrono é José Veríssimo, em 11 de abril.

Falecimento em 5 de julho, em decorrência de câncer no pulmão.

A história continua na obra.

Explore os livros e os pensamentos de Samuel Benchimol e descubra as ideias que seguem inspirando novos olhares sobre a Amazônia.

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